Ontem, mais uma vez, tive a oportunidade de visitar um dos centros do que promete ser o maior propulsor do crescimento econômico brasileiro nos próximos anos: Macaé. Pela sua privilegiada localização geográfica em relação aos campos do pré-sal, a cidade acabou sendo invadida por empresas que orbitam o setor do petróleo, tornando-se praticamente a “capital do pré-sal”.
Com as recentes descobertas das bacias do pré-sal, as reservas brasileiras mais que dobrarão, passando dos atuais 13 bilhões de barris para estimados 50 bilhões de barris. Com isso, o Brasil passará a ter a 9ª maior reserva e ser o 4º maior produtor de petróleo do mundo. De acordo com o plano de investimentos da Petrobrás, o setor deve receber cerca de US$ 250 bilhões até 2020. A pergunta é: estamos preparados para este crescimento?
Com as recentes descobertas das bacias do pré-sal, as reservas brasileiras mais que dobrarão, passando dos atuais 13 bilhões de barris para estimados 50 bilhões de barris. Com isso, o Brasil passará a ter a 9ª maior reserva e ser o 4º maior produtor de petróleo do mundo. De acordo com o plano de investimentos da Petrobrás, o setor deve receber cerca de US$ 250 bilhões até 2020. A pergunta é: estamos preparados para este crescimento?
A viagem começa no Rio de Janeiro. Vindo de São Paulo, o primeiro gargalo acontece antes mesmo de tocar os pés na cidade, supostamente, maravilhosa. A mudança nos ventos e uma neblina rala impedem que o avião pouse no aeroporto Santos Dumont. Engraçado que é o mesmo tipo de avião que eu já vi pousar em condições muito mais adversas como neve e visibilidade próxima de zero. Fatalmente é a falta de algum equipamento que evita o cumprimento da rota conforme planejada. Após 30 min de sobrevoando o Rio de Janeiro fomos desviados para o Galeão, provando que com melhores equipamentos conseguiríamos pousar nas mesmas condições meteorológicas.
A princípio isso não deveria gerar nenhum problema visto que os dois aerportos estão há apenas 15 km de distância um do outro. No Rio de Janeiro, nos juntaríamos a uma comitiva de investidores estrangeiros que nos aguardavam no aeroporto Santos Dumont, portanto, pego um táxi com o destino de onde eu deveria te pousado 30 min atrás. Aí, outro gargalo aparece. Logo ao entrar no táxi pergunto ao motorista como está o trânsito hoje na cidade. Ele me diz sem rodeios: “Neste horário? Está sempre ruim!” A viagem de 15km dura mais do que a viagem de 444km entre RJ e SP. Precisamente, fico dentro do táxi por mais de 1 hora até que, finalmente, consigo encontrar a comitiva que me aguardava a esta altura por mais de 1h30m.
A escolha por ir de carro para Macaé foi devido a falta de vôos para a cidade. Há 2 companhias pequenas que fazem o trajeto em horários bastante limitados. A escolha foi bem feita visto que, com o atraso no vôo original, fatalmente perderíamos a nossa conexão. Já no carro, partimos para Macaé. O trajeto de cerca de 183km dura cerca de 3 horas em função de metade do trecho ser feito em vias simples lotadas de ônibus e caminhões. No meio do caminho ainda passo por Niterói e São Gonçalo. Duas importantes cidades para o mercado de navegação com a 2ª e 3ª maior capacidade estaleira do país (atrás apenas de Suape). Ambas são rapidamente confundidas com favelas pelos estrangeiros que me acompanham. E, sinceramente, eles não estão errados. Por onde passamos era difícil provar que as “favelas” eram, na verdade, bairros com infraestrutura precária e que, de fato, essa era a realidade da maioria da população brasileira.
Chegando em Macaé, os gargalos ficam aparentes. No bairro industrial onde estão localizadas as principais empresas do setor (fornecedores diretos da Petrobrás e todas as outras companhias do setor) não há água encanada. O crescimento foi tão rápido que não houve tempo (ou eficiência) para desenvolver uma infraestrutura básica e, por isso, empresas que desenvolvem tecnologia de ponta para exploração de petróleo em altas profundidades contam com abastecimento de água de caminhões pipa. Acredito não ser necessário dizer que asfalto não há e a segurança é precária.
Já no fim do dia decolamos de Macaé com destino ao Rio de Janeiro. Quando imaginei que todas as supresas do meu dia já haviam passado, surge mais uma. Já de noite avisto de cima uma fila de navios no oceano formando até que um bonito cenário. Quando pergunto o motivo daquele alinhamento, sou informado de que trata-se de navios esperando um espaço no porto de Macaé para efetuarem manutenção. Na verdade, eram navios de US$ 40, 100, 200 milhões parados esperando um horário para fazer a manutenção básica necessária para este tipo de ativo.
Resumindo, é espantoso quando temos um contato tão direto com os gargalos brasileiros. A falta de infraestrutura gera custos, ineficiência, perda de negócios, perda de competitividade para ficar por aí. Devemos repensar que tipo de país queremos ser. Não serão eventos como copa do mundo e olimpíadas que mudarão a realidade do país. Investir apenas 0,8% do PIB em portos (comparado com China que investe 8% e Russia / India que investem cerca de 5%) não resolverá o problema no curto, no longo e nem no perpétuo prazo. E isso é válido para aeroportos, estradas, saneamento básico, mobilidade urbana, etc... Precisaremos de muito empreendedorismo para fazermos esse país virar a realidade prometida!
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