Nesta semana, de acordo com dados divulgados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) o PIB agropecuário cresceu 4,85% no primeiro semestre de 2011 demonstrando que o setor continua puxando a economia brasileira. Isso é muito relevante em um mundo onde espera-se um crescimento grande de países emergentes (China e Índia principalmente). E o que isso muda?
Na medida em que chineses e indianos passam a ganhar mais, provavelmente, a primeira coisa que farão será comer mais e melhor e aí países que produzem comida se beneficiarão desta explosão de demanda.
Na medida em que chineses e indianos passam a ganhar mais, provavelmente, a primeira coisa que farão será comer mais e melhor e aí países que produzem comida se beneficiarão desta explosão de demanda.
Dentro deste contexto, o Brasil já ocupa uma posição de liderança sendo um dos principais players em diveras commodities agrícolas. Hoje, o país já é o primeiro colocado em exportação e produção de açucar, café, suco de laranja. Ainda, é o maior exportador do mundo em carne bovina, tabaco, etanol de cana-de-açucar e um dos três maiores em soja, milho e carne suína.
Ranking Brasileiro de Produção e Exportação de Produtos Agrícolas
Fonte: Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento
Com uma imensidão de áreas produtivas ainda a serem abertas, a produção tende a aumentar e com isso devemos assumir posições ainda mais importantes no cenário das commodities agrícolas mundial, entretanto, o nosso crescimento não derivará apenas da expansão de terras utilizadas. De 1960 até hoje o país teve um aumento de produção de 774% em grãos e 251% em produção bovina. Tudo isso acompanhando por um imenso ganho de produtividade. A produção de grãos passou de 783 kg/ha para 3.173 kg/ha e a criação de gado passou de 0,47 cabeças por hectare para 1,2 cabeças por hectare. Esses dados indicam que a evolução das commodities agrícolas brasileiras vem sendo acompanhada por uma evolução qualitativa de sua produção. Este ganho tecnológico é muito importante pois prova que o país estará apto a acompanhar o aumento da demanda mantendo e até aumentando a sua importância no mercado mundial de commodities agrícolas.
Evolução da Produção Brasileira de Grãos
Fonte: Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento
Evolução da Pecuária Brasileira
Fonte: Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento
Poderíamos, então, quesionar o quanto deste mercado pode ser afetado por um agravamento da crise econômica nas economias desenvolvidas. A boa notícia é que as exportações brasileiras são extremamente pulverizadas. Se somarmos as economias em crise (União Européia, EUA e Japão), o volume financeiro totaliza apenas 36% do total exportado pelo Brasil demonstrando pouca concentração em um ou outro mercado. Isso significa que se tivermos um impacto de 20% na importação de commodities agrícolas por essas economias, o país seria impactado em cerca de 7% (desconsiderando um potencial e provável aumento nas outras economias em desenvolvimento).
Principais Destinos das Exportações do Agronegócio Brasileiro
Fonte: Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento
Nos produtos com maior volume exportado chegamos a exportar para mais de 100 mercados diferentes como é o caso do açucar com 128 mercados e carnes bovina e de aves com 139 e 147 mercados respectivamente, minimizando os riscos de crises econômicas em um ou outro mercado específico.
Quantidade de Destinos e Valor das Exportações
Fonte: Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento
Outra importante característica das commodities agrícolas brasileiras é que há uma espécie de hedge natural da produção brasileira em relação ao seu valor quando comparamos o câmbio e o valor das commodities. Se olharmos a série de preço dos últimos 10 anos de commodities (exceto o petróleo) e a taxa de câmbio entre o real e o dólar, nota-se uma forte correlação negativa (-0,82) o que significa que quando há uma queda nos preços das commodities o real se deprecia frente ao dólar – sendo esta a moeda de cotação internacional de quase todas as commodities agrícolas, garantindo uma proteção ao produtor local que exporta os seus produtos.
Fonte: Ipeadata / elaboração própria
A análise desses dados me deixa muito otimista com a posição do país no setor que deverá puxar o crescimento mundial nos próximos anos, porém, ressalta-se a necessidade de investimentos em infraestrutura que serão indispensáveis para tirarmos proveito do cenário favorável. Se não conseguirmos garantir a estabilidade do crédito para o agronegócio, infraestrutura para escoamento da produção, diminuição da burocracia e redução dos custos institucionais brasileiros esta onda pode passar e podemos não aproveitá-la.






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