quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Tulipomania - A primeira de muitas crises...

The Viceroy
Muita gente acredita que as crises financeiras são fruto da globalização que tornou o processo especulativo mais fácil devido a rapidez com que a informação circula pelo mundo. Porém, crises financeiras geradas por componentes clássicos de uma crise (precificação errada de ativos, falta de regulação, entre outros) é fruto da ganância do ser humano.
Escrevendo este texto me lembro da frase: “A história se repete... por que ninguém presta atenção”. Portanto, preste atenção no relato abaixo da famosa crise das tulipas (que origina o famoso termo de mercado “Tulip Mania”) e veja se encontra alguma semelhança com crises recentes (subprime ou da bolha ponto com, por exemplo).
A história se passa na Holanda durante os anos de 1634 - 1637. Um novo produto recém importado da Turquia era a novidade do momento nos mercados Holandeses. Tratava-se de uma flor chamada Tulipa. As espécies mais raras eram negociadas apenas pela mais alta classe social do país, na verdade, a flor passou a ser sinônimo de status. Relatos dizem que a espécie Semper Augustus com suas pétalas cor de rosa eram negociadas por um preço comparável a um imóvel de pequeno porte no centro de Amsterdã ou a 24 toneladas de trigo. Outra, conhecida como “the Viceroy” tinha o seu bulbo avaliado entre 3,000 e 4,200 florins (um artesão da época ganhava algo em torno de 300 florins por ano). Foi até “criado” uma nova variedade de tulipa multi-colorida que, hoje, se sabe que é derivada de um vírus que ataca esse tipo de flor e se você acha que isso é tudo, a história ainda nem começou.
Os bulbos das tulipas só floresciam durante a primavera, portanto, esse mercado só poderia ocorrer durante este período, correto? Errado. Alguns “investidores” decidiram comprar bulbos ao longo do ano inteiro, aproveitando do preço menor, e ao chegar a primavera, venderiam suas flores com um grande lucro. De fato, esses investidores não compravam o bulbo fisicamente mas faziam um acordo com o vendedor de que o bulbo era deles, ou seja, como se comprassem um Contrato Futuro de bulbo de tulipa. Este mercado ficou conhecido como windhandel ou “negócio de vento” (que até hoje é traduzido como “especulação”).
Esse investidor que comprou um bulbo por 1,200 florins durante o inverno acabava por não esperar que a primavera chegasse. Antes disso ele já se antecipava e caso alguém tivesse interesse em comprar o seu “bulbo futuro” ele o venderia com lucro. E interessados não faltavam. Então, o investidor original vendia para um segundo investidor por 1,300 florins que vendia para um terceiro por 1,400 florins e assim por diante até que a primavera chegasse e, finalmente, o comprador final arrematasse sua flor por um alto valor. O negócio era tão bom (o preço de bulbos NUNCA havia caído abtes) que pessoas comuns tomavam empréstimos, vendiam suas casas e carruagens para investir em tulipas.
Há diversas explicações para a queda nos preços. Alguns historiadores dizem que floristas se aproveitaram do mercado e venderam antecipadamente bulbos que sequer existiam. Com o aumento da demanda eles ficaram incapacitados de entregar as flores e o investidor que havia comprado um “contrato futuro” de tulipa ficou sem ativo nenhum. Poderiam ser chamados de “subprime das tulipas”. Outros dizem que os floristas produziram bulbos em excesso, inundando o mercado e equalizando a oferta com a demanda. O que não se discute é que houve um crash no preço das tulipas e praticamente nenhum contrato foi cumprido. Investidores quebraram e a crise teve consequências em toda a economia da época.

Preço dos bulbos de tulipa de 1636 - 1637
Se você sabe o que ocorreu nas crises de 1929, 2001, 2009, ... com certeza achou um paralelo próximo com essa história. Se você não conhece as outras crises, é só voltar no início do texto e substituir “tulipas” por “imóveis” ou “empresas .com”.

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